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Love, Death + Robots: Um soco no estômago por episódio

Netflix, me contrata

Quando eu assisti Love, Death + Robots (amor, morte e robôs), eu tinha passado a semana inteira ouvindo comentários negativos sobre a Netflix. Umas trocentas pessoas me falaram como preferem qualquer outro serviço de streaming porque não gostam dos originais da Netflix. E quando eu assisti essa sequência de animação, eu só consegui pensar “mano, não imagino outro serviço de streaming lançando algo como isso”. Tá, talvez a Amazon Prime. Mas a ideia de Love, Death + Robots é  muito a cara da Netflix. Por que?

Bem, primeiro, que quando Tim Miller (Deadpool) e David Fincher (Clube da Luta) trabalharam juntos antes, foi um fracassinho. E apostar em pessoas desconhecidas ou que foram recusadas por outras empresas, fracassaram, ou mesmo com um estilo de série bem diferente, pra mim já é bem Netflix. Depois, o teor da série não é óbvio. A série, que é uma sequência de episódios de animação com características BEM distintas umas das outras, e histórias que não se interligam entre si (até o momento, pelo menos não foi provado nada). Não é bem um estilo popular entre emissoras. Além disso, os episódios são curtos e a série muito curta também. É basicamente uma série de animações, adulta, curta, com episódios curtinhos, com produtores com histórico de fracasso, e sem conexão clara entre os episódios. Bem Netflix!

Love, Death + Robots

Lançada dia 15 de março, a série conta com 18 episódios, com até 18 minutos de duração cada. Alguns tem apenas 6 minutos. Como já falei, conta com os produtores executivos Tim Miller e David Fincher, além deles também o Joshua Donen (Mindhunter) e a Jennifer Miller. Cada um dos episódios foi animado por um grupo diferente de pessoas, de diferentes países e com estilos completamente diferentes.

Love, Death + Robots: estilos diferentes de animações
Love, Death + Robots: Estilos que vão de Steampunk, fantasia, até viagens espaciais e mundos pós-apocalípticos.

A série é uma coleção de episódios curtos que abrangem gêneros diversos como: ficção científica, fantasia, horror e comédia. Muitos episódios variam em mais de um dos temas por vez. Não é absolutamente necessário assistir em sequência. Além dos temas diferentes, cada episódio também tem características de animação diferentes. Alguns são bem realistas, enquanto outros são mais cartunescos. Achei inclusive que cada um dos episódios combinou perfeitamente com o teor do episódio. Tem participações especiais de diversos atores também, como a Samira Wiley (de OitNB, muito amor).

Inspiração e Amadurecimento

Love, Death + Robots é na verdade inspirado em um filme adulto de animação canadense de 1981 chamado “Heavy Metal” . Foi reimaginado pelos produtores pra trazer a ideia de sci-fi e fantasia em episódios de animações com temáticas semelhantes, trazendo muito da temática do “original”. Heavy Metal é uma antologia em um formato de filme, adaptado de quadrinhos que tem a mesma ideia, e também trabalha com diferentes estúdios de animações, com conteúdos com nudez, violência e sexualidade. Semelhante, né? Aliás, Love, Death + Robots tem a classificação 18 anos, viu?

Love, Death + Robots: Episode
Oh! Isso foi incrível! Como foi pra você? Conte-me tudo!

De acordo com Miller:

“Love, Death + Robots é o meu projeto dos sonhos, combina o meu amor pela animação e por histórias incríveis. Filmes da meia-noite, quadrinhos, livros e revistas de fantasia me inspiraram por décadas, mas eles foram relegados à cultura marginal dos geeks e nerds dos quais eu fazia parte. Estou muito contente que o panorama criativo finalmente mudou o suficiente para que a animação com temas adultos se torne parte de uma conversa cultural mais ampla. ”

Além do óbvio

Cada episódio de Love, Death + Robots, traz além de uma história diferente, uma temática e uma crítica diferentes também. A relação do estilo de animação com a história enriquece ainda mais como tudo é contado. Acho incrível que isso foi fortalecido por diferentes estilos e locais onde as animações foram feitas. O episódio Fish Night (algo como “pescaria noturna”) foi feita por um estúdio da Polônia. Alguns, como o Lucky 13 (13 – o número da sorte) são um SHOW de CGI, feito pelo estúdio da Sony Pictures imageworks.

Alguns dos assuntos abordados são a nossa falta de cuidado com a natureza, de como podemos nos matar antes dos robôs tomarem de conta do planeta. A nossa dependência de algum ser superior para nos indicar o caminho, sem eles somos apenas pessoas perdidas, egoístas e arrogantes. Tem também a nossa relação com uma falsa realidade por ser difícil demais de lidar com a verdade. Ou mesmo os desejos egoístas de alguns de acharem-se superiores em relação a outras espécies ou usar o próprio poder e dinheiro pra mudar as pessoas para satisfazer única e exclusivamente um desejo egoísta, sem perguntar à outra pessoa se ela deseja mudar de verdade.

Pra mim é como se a série escancarasse todos os nossos defeitos na nossa cara! E, de certa forma, os cuidados que precisamos ter para tomarmos de conta de nós mesmos. Alguns episódios mais otimistas falam do poder do sacrifício e da forma das nossas relações humanas. Eu gosto mais dos episódios pessimistas kkkkk.

Love, Death + Robots: Episode
“#Estamos tão $%&#$@!”

Preferidos de Love, Death + Robots

Essa é uma área completamente de opinião, eis os episódios que eu mais gostei por “categoria” :

  • Como crítica: Three Robots (sobre 3 robôs em um mundo onde não há mais humanos vivos); Good Hunting (Sobre subjulgar grupos femininos e a vingança frente à injustiça em um mundo bem steampunk)
  • Como reflexão: Zima Blue (sobre um artista renomado que tem uma vida misteriosa); When the yogurt took over (os humanos que agora são governados por iogurte, que criaram consciência)
  • Como história: além dos 2 da “categoria” crítica, gostei especialmente do Sonnie’s Edge (uma luta de monstros que são controlados psiquicamente)
  • Como belezinhas aos olhos: Lucky 13 (sobre uma nave de resgate que era considerada azarada, até chegar a “Poussey”, um CGI lindo e perfeito, realista e delicioso); The Witness (Sobre uma testemunha de assassinato, as cenas de movimento estão perfeitas, e o final é muito incrível); Fish Night (Pai e filho ficam presos no deserto são “assombrados” por espíritos de peixes que um dia viveram ali a milhões de anos atrás, a animação é LINDA DEMAIS, uma das mais bonitas em cores na minha humildíssima opinião).
Love, Death + Robots: Episode Zima Blue
Zima Blue

Inclusive, você sabia que a ordem dos episódios de Love, Death + Robot podem mudar de acordo com seu perfil de espectador? São 4 primeiros episódios que podem mudar de ordem pra cada usuário. A Netflix não deixou claro o que causa essa mudança, mas usuários dizem que depende do seu histórico e gêneros de preferência no serviço de streaming. Dizem ainda que é um teste que a Netflix ta fazendo pra aplicar a outras áreas do serviço também.

Love, Death + Robots: Episode
"Oh Shit"
Oh, Merda!

Enfim…

Eu adorei de verdade, achei impecável, e muito sensível. Eu adoro como os episódios, mesmo não conectados, me deixavam com vontade de ver o próximo, saber qual seria o tema seguinte, que soco no estômago eu levaria. Alguns episódios são realmente muito engraçados, mas não teve nenhum realmente que eu não tenha gostado. É uma belíssima forma de mostrar que em menos de 20 minutos você consegue transmitir uma mensagem forte/bonita/crítica.

E você? Já assistiu essa obra de arte? Qual episódio mais gostou? Qual foi mais impactante? Até logo, e obrigada pelos peixes!

Love, Death + Robots: Episode 1 (for me)
Sonnie’s Edge

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